12 lições de vida de um homem que já presenciou 12.000 mortes


O que podemos aprender com os que estão a morrer? 

Enraizada no coração de muitos hindus está a crença de que, se respirar pela última vez em Kashi (localidade na Índia), alcançará o que é popularmente conhecido como o ‘Kashi Labh’ ou o ‘fruto de Kashi’ — que é moksh ou “libertação do ciclo de renascimento que é impulsionado pela lei do karma”.

Kashi Labh Mukti Bhawan na região de Varanasi é uma das três pousadas na cidade onde as pessoas fazem check in para morrer. As outras duas são Mumukshu Bhawan e Ganga Labh Bhawan. Fundada em 1908, Mukti Bhawan é muito conhecida dentro e fora da cidade.

Bhairav Nath Shukla é o gerente do Mukti Bhawan há 44 anos. Ele já viu ricos e pobres refugiarem-se na pousada em seus últimos dias, enquanto esperam a morte e anseiam encontrar paz. Shukla anseia com e por eles. Ele senta-se num banco de madeira no quintal, contra um muro de tijolos, e partilha comigo 12 lições de vida recorrentes das 12.000 mortes que ele testemunhou em sua experiência como gerente do Mukti Bhawan.

1. Resolva todos os conflitos antes de partir

Shukla reconta a história de Shri Ram Sagar Mishr, um erudito de Sanskrit do seu tempo. Mishr era o mais velho de seis irmãos e tinha mais afinidade com o irmão mais novo. Anos antes, uma discussão entre os dois irmãos levou à construção de uma parede para separar a casa.

Foto: Uplift

Nos seus últimos dias, Mishr entrou na pousada com a sua pequena mala de paan e pediu para ficar com o quarto nº 3, reservado para ele. Ele estava certo de que iria morrer no 16º dia de sua chegada. No 14º dia, ele disse: “peça para que o meu irmão, de quem estou separado há 40 anos, venha ver-me. Esta amargura está a deixar o meu coração pesado. Estou ansioso para resolver todos os conflitos”.

Uma carta foi enviada. No 16º dia, quando seu irmão mais novo chegou, Mishr segurou a mão dele e pediu para que o muro que dividia a casa fosse derrubado. Pediu que o seu irmão o perdoasse. Ambos os irmãos choraram e, no meio de uma frase, Mishr parou de falar. Sua face tornou-se calma. Num instante, ele havia partido.

Shukla tem visto essa história repetir-se de muitas formas ao longo dos anos. “As pessoas carregam consigo tanta bagagem, desnecessariamente, pela vida toda e só querem largar no final da jornada. O truque não é não ter conflitos, mas resolvê-los assim que pudermos”, diz Shukla.

2. Simplicidade é a verdade da vida

“As pessoas param de comer comida por deleite quando sabem que vão partir. Em muitas pessoas que estão nos seus últimos dias nasce um entendimento de que elas deveriam ter levado uma vida simples. É disso que elas mais se arrependem”, diz Shukla.

Uma vida simples – como explica ele – pode ser alcançada gastando menos. Nós gastamos mais para acumular mais e, com isso, criamos mais necessidades. Contentar-se com pouco é o segredo para ter mais.

3. Filtrar as características negativas das pessoas

Shukla sustenta que todo mundo tem traços bons e maus. Em vez de descartar pessoas “más” logo à partida, devemos encontrar as suas qualidades boas. Alimentar antipatia por certas pessoas acontece porque nos concentramos nas qualidades negativas. Se nos focarmos nas qualidades boas, no entanto, podemos usar essa energia para conhecê-las melhor ou, talvez, até nutrirmos amor por elas.

4. Esteja disposto a pedir ajuda aos outros

Saber e fazer tudo por si pode dar uma sensação de elevado poder pessoal, mas isso limita a possibilidade de absorvermos o que os outros aprenderam. Shukla acredita que devemos ajudar os outros, mas – mais importante que isso – é ter coragem de pedir ajuda quando necessitamos.

Toda a gente no planeta sabe mais que nós, em algum aspecto. E o conhecimento deles pode nos ajudar, mas só se estivermos abertos para isto.

Ele contou que, em certa ocasião, uma senhora mais velha estava a fazer check in na pousada num dia chuvoso, lá por volta de 1980. As pessoas que a levaram foram embora sem preencher os formulários. Algumas horas depois, a polícia apareceu procurando pistas dos parentes da senhora idosa, os quais – disseram eles – eram fugitivos Naxalitas*. Shukla fingiu que não sabia de nada e a polícia foi embora. Quando os parentes dela voltaram na manhã seguinte, Shukla perguntou ao líder, sem constrangimento: “Se você consegue matar 5-8 pessoas, porque simplesmente não deu um tiro à sua avó e tratou de a cremar? Porque me obrigou a mentir, fazendo-me sentir vergonha?” O neto caiu de joelhos e implorou por perdão dizendo que ninguém entre eles seria capaz de ajudar a avó, que era profundamente religiosa, a alcançar a salvação. Ele respeitou isto, e esse foi o motivo pelo qual ele a aceitou no Mukti Bhawan.

*grupos de militantes comunistas que operam em diferentes partes da Índia

5. Veja beleza nas coisas simples

No Mukti Bhavan, são tocadas comoventes bhajans e músicas devocionais três vezes ao dia. “Algumas pessoas”, ele diz, “param e apreciam um excerto ou o som dos instrumentos como se elas nunca tivessem ouvido antes, mesmo que já tenham ouvido. Elas param para apreciar e ver a beleza que estas músicas têm”.

Mas isso não é verdade para todos – ele acrescenta. Pessoas que são muito críticas ou muito orgulhosas são aquelas que têm dificuldade para achar alegria nas pequenas coisas, porque a mente delas está preocupada com coisas “aparentemente” mais importantes.

6. Aceitação é libertação

A maior parte das pessoas não quer aceitar o que está a acontecer com elas. Essa constante negação vai gerando emoções altamente perigosas. Apenas quando aceitamos a nossa situação é que ficamos livres para decidir como lidar com ela. Sem aceitação, ficamos sempre numa zona cinzenta.

Quando não está em negação em relação a um problema seu, você encontra forças para encontrar a solução.

Indiferença, fuga ou negação de determinada verdade – acredita Shukla -, causa ansiedade; as pessoas desenvolvem um medo daquela coisa dentro si mesmas. Em vez disso, aceite a situação, para que você fique livre para pensar o que vai fazer em relação àquilo e de que forma. Aceitação vai libertá-lo/a e dar-lhe poder.

7. Aceitar todas as pessoas como iguais faz o serviço de Shukla ficar mais fácil

O segredo da determinação e dedicação inabalável que Shukla tem pelo seu exigente trabalho pode ser compreendido por meio dessa lição de vida: ele admite que a vida seria difícil se ele tratasse as pessoas que dão entrada no Mukti Bhavan de forma diferente, com base na casta, no credo, na cor ou na condição económica e social. Categorizar complica e assim acabamos por não servir bem ninguém. “O dia em que você tratar todos de igual forma, será o dia em que você vai respirar suavemente e ficar menos preocupado se outros ficaram ofendidos ou não. Facilita o seu trabalho”, diz.

8. Se/quando encontrar seu propósito, não fique parado

Ter consciência sobre sua vocação é maravilhoso, mas só se fizer algo com isso.

Muitas pessoas – diz Shukla – sabem o que dá sentido para elas, mas não fazem nada para concretizar isso, para dar vida ao propósito. Só sentar-se e não fazer nada é pior do que nunca ter tido uma vocação. Ter uma visão sobre o seu propósito vai ajudá-lo/a a medir quanto tempo e esforço precisa dedicar para isso, ao mesmo tempo em que vai sendo levado por coisas que acha que não pode abrir mão ou deixar escapar. Tome uma atitude em relação ao que realmente importa.

9. Hábitos vão se transformando em valores

Shukla recomenda que cultivemos hábitos bons para que possamos abrigar valores bons. E construir bons hábitos leva tempo e requer prática. “é como desenvolver um músculo: tem que persistir todos os dias”.

Se o indivíduo não trabalha consistentemente para se tornar mais justo ou gentil ou verdadeiro ou honesto ou compassivo, sempre que for posto à prova, então não pode achar que tem essas qualidades.

10. Escolha o que quer aprender

Na vastidão da quantidade infinita de conhecimentos que está disponível para nós, é fácil perdermo-nos e ficarmos confusos. “A lição-chave aqui é estar atento para escolher o que realmente sente que vai ter valor para si”, disse. As pessoas, em busca do próprio interesse, tentam impor-lhe assuntos e filosofias, mas, ao mesmo tempo que deve estar ciente das suas sugestões, o mais sábio a fazer é aprofundar o seu conhecimento naquilo que alegra o seu coração e a sua mente.

Com um sorriso no rosto, Shukla diz: “Nos últimos dias de vida, muitas pessoas não podem falar, caminhar ou comunicar com os outros com a mesma facilidade que faziam antes. Então, estas voltam para dentro de si. E começam a lembrar-se de coisas que um dia fizeram o coração delas cantar. Coisas que elas quiseram aprender mais no decurso das suas vidas e que hoje enriquecem os seus dias.

11. Não cortamos laços com as pessoas; cortamos laços com os pensamentos que elas produzem em nós

Raramente nos distanciamos de pessoas que verdadeiramente amamos ou com quem nos tenhamos conectado. Contudo, em qualquer relacionamento, ao longo do caminho, certas divergências de ideologias fazem com que pessoas parem de comunicar entre si.  Isso nunca pode significar que já não tem nada a ver com essa pessoa. Apenas significa que você não se associa com um pensamento dominante que essa pessoa traz consigo. E, para evitar mais conflitos, afasta-se. O divórcio, Shukla afirma, é feito com os pensamentos, nunca com a pessoa. Entender isso é tirar um fardo de si próprio em vez de ficar amargo e vingativo.

12. 10 por cento do que você ganha, deve guardar para “dharma”

“Dharma” não é definido por Shukla como algo religioso ou espiritual. Em vez disso, ele diz que isso está associado com fazer o bem a outras pessoas e sentir-se responsável por isso. Um simples cálculo, segundo ele, é guardar 10% do que ganha, para boas ações.

Muitas pessoas doam ou fazem atos de caridade quando caminham para o fim das suas vidas porque a morte vai-se tornando pesada. No seu sofrimento, começam a ter empatia com o sofrimento dos outros. Ele diz que quando têm a companhia dos entes queridos, as bênçãos de estranhos e desconhecidos e a boa vontade geral das pessoas, partem pacificamente e graciosamente. Isso torna-se possível quando deixa de se apegar a tudo que tem e quando você deixa uma parte para os outros.

Autor: Deepak Ramola 

Texto traduzido do artigo publicado no site UPLIFT por Tibert house Brasil e adaptado para Português de Portugal pela equipa 3NCRYPT3D

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Dicas para viver melhor, abrandando

Segundo um estudo encomendado pela Herdade do Esporão à Universidade Católica Portuguesa, “uma boa gestão de tarefas, algum tempo livre para as relações familiares e sociais são os indicadores que mais contribuem para o bem-estar geral”.


Carl Honoré é o fundador do movimento “Slow” que defende um estilo de vida mais equilibrado. Honoré esteve em Portugal a convite da Herdade do Esporão e deixou dicas para os mais apressados abrandarem.
Aqui fica a seleção 3NCRYPt3D dessas dicas.

(Se é um dos apressados, comece devagar, 1, 2, 3… vai ver que aos poucos se mudam hábitos, com sucesso!)

dicas vida

Fonte: Revista Visão

apresentaçao publico 3NCRYPT3D

O 3NCRYPT3D vai apresentar-se ao público no dia 6 de junho.

Na próxima 5ª feira o serviço vai ser lançado no Multiusos de Gondomar, enquanto decorre o evento DDC 2019: Vamos Superar Limites

A equipa 3NCRYPT3D vem assim marcar presença num dos maiores eventos empresariais do país, apresentando aqui o seu serviço.

O 3NCRYPT3D, cujo lema é “A Solução Digital para o seu Legado”, entrega mensagens de email preparadas previamente com total segurança, mesmo em caso de emergência ou morte. Trata-se de um meio único para salvaguardar informação que não se pode perder: bens, ideias e dados confidenciais, etc. Desta forma, nada ficará por dizer.

O DDC Samsys é um evento dedicado ao desenvolvimento profissional e pessoal, é promovido pela Samsys e é já considerado um evento incontornável no panorama empresarial português.

O tema desta edição do DDC, Vamos Superar Limites, é especialmente relevante para o 3NCRYPT3D, pois este é um serviço que permite aos seus clientes superarem limites nunca transpostos antes, ao nível da:

  • Segurança: permite que usufrua de níveis de segurança sem comparação, no envio de mensagens de email condicionados.
  • Autonomia e confidencialidade: à distância de um click e de forma autónoma, todos poderão preparar mensagens previamente que serão enviadas mesmo em caso de emergência.
  • Inovação: Inovamos a nível mundial, pois não existe outro serviço que permita contornar limites impostos pela vida, garantindo segurança state of art e autonomia para este efeito.

Para além da área de exposição onde o 3NCRYPT3D estará presente, vai haver uma outra onde, ao longo do dia, poderá assistir a palestras enquadradas no mote do evento. Os oradores deste ano, são:

  • O empresário, viajante, autor e orador André Leonardo;
  • O “tubarão” Tim Vieira;
  • O coach Jorge Coutinho;
  • A radialista Carla Rocha;
  • O ator Paulo Azevedo;
  • O coach Luís Fernando.

Dividiremos o espaço com o nosso parceiro nBanks, com quem vamos superar ainda mais limites.

Aguardamos pela sua presença no nosso espaço, e neste evento inspirador.

Venha conhecer a nossa solução e parte da equipa 3NCRYPT3D! Temos várias supresas à sua espera!


Dia
: 6 de junho de 2019

Horário: 8:00 – 18:30

Local: Pavilhão Multiusos de Gondomar

Programa: aqui

Inscrição gratuita e obrigatória: aqui

Equipa ENCRYPT3D

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Greta Thunberg

Qual a melhor altura para construir um legado?

Aos 8 anos descobriu que o planeta estava em perigo e nunca mais descansou. Aos 11 anos caiu em depressão. Aos 15, decidiu começar a fazer greve às sextas-feiras à porta do parlamento do seu país e distribuir panfletos, alertando para a situação caótica do nosso planeta.

Já todos sabemos quem é Greta Thunberg. A sua TED Talk já passou os três milhões de visualizações (em Ted.com e Youtube). [Se não viu, por favor, veja. Garanto que vale a pena. O link está mais abaixo.]

Greta já aparece em jornais e nas redes sociais. Esteve presente, enquanto ativista, em algumas das mais importantes conferências a nível mundial, como COP24, Davos, etc. Foi nomeada para o Nobel da Paz e foi capa da Time Magazine. Apesar de andar pelo mundo, não voa em aviões –  por causa do efeito das viagens na atmosfera. Demorou 32 horas a chegar a Davos, de comboio.

Ganhou o prestigiado prémio “Liberté”; dividiu os 25 mil euros ganhos com quatro organizações dedicadas à defesa do clima.
António Guterres, cujo discurso sobre este tema está especialmente assertivo, apoia o seu movimento. Arnold Schwarzenegger, que se encontrou com Greta a propósito da Austrian World Summit , escreve no Twitter “I have to admit I was starstruck when I met @gretathunberg.”

Nações Unidas sobre alterações climaticas

Será um fenómeno de popularidade? Com certeza. Será que existem “interesses paralelos” a este movimento ou alguém a dizer à jovem ativista o que transmitir? Muito pouco provável. O movimento já “ganhou pernas”, está bem vivo e é independente.

Greta sabe o seu lugar. Sabe que, se não fizer algo Agora pela Terra, esta morrerá em pouco tempo.

“Temos de agir como se a nossa casa estivesse a arder. Porque está. O nosso planeta está a arder.” – disse, numa das suas intervenções.

Na última sexta-feira, dia 24, milhares de estudantes em todo o mundo fizeram greve, organizada pelo seu movimento. No dia anterior a esta grande manifestação, numa carta enviada ao jornal “The Guardian”, Greta e mais 40 outros ativistas da “Fridays for Future”, explicaram o que iria acontecer no dia seguinte e fizeram um apelo: “que todos façamos greve, e possamos mostrar resistência em massa. Os Jovens têm liderado as greves pelo clima. Agora precisamos que os adultos se juntem a nós (…)”.

O que aconteceu em Portugal? Vimos bastantes manifestantes nas ruas das principais cidades portuguesas. Curiosamente, a informação que obtive foi que, pelo menos na localidade onde tenho residência, os estudantes do ensino secundário e preparatório que decidissem faltar, teriam falta injustificada.

Não sei o que pensam os pais sobre este assunto. Não sei o que pensam os professores. Segundo o DN, a CGTP e a UGT reagiram ao apelo de greve geral (que não foi feito formalmente), dizendo que estão solidários, porém “as duas estruturas sindicais afastaram já a hipótese de uma greve geral de trabalhadores, lembrando que essa é “a última arma” de uma negociação”. Mostraram disponibilidade para colaborar de outras formas.

O que sei, sabemos, é que Greta tem razão.

“A nossa casa está a arder”, e se os adultos não fizerem parte do movimento de forma a criar pressão efetiva sobre os governos, ele pode não ir avante. Se não for, vamos sofrer terríveis consequências. Já estamos a sofrer.  

Qual é a melhor altura para começar a construir um legado?

Para esta jovem ativista foi aos 15 anos.
Acredito agora que nunca é cedo demais para começar. E também nunca é tarde.

E se queremos deixar um planeta (em que seja possível viver) aos nossos filhos, sobrinhos e netos, então esta deverá também ser a nossa prioridade.

Maria Beatriz Costa, Responsável de Marketing e Comunicação 3NCRYPT3D

Nota: Para fazer algo pelo planeta hoje, além do que todos já fazemos (poupança de água e recursos, reciclagem, etc), é importante que se fale destes problemas que nos afetam a todos. Converse sobre este assunto com os seus amigos e conhecidos.

Procure e partilhe informação, partilhe este artigo! 

Pode ver a Ted Talk supra mencionada, aqui ou no link abaixo.


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empresario que sabia de tudo

O segundo decisivo: O caso do empresário que sabia de tudo

O Michael – o empresário feliz

Michael – CEO da pequena empresa que fundara há uns anos e que crescia a olhos vistos – tinha, finalmente, conseguido a reunião que tanto ambicionava com aquele parceiro que, acreditava, iria ser crucial para a expansão do negócio, nos moldes que sonhara!

Estava entusiasmadíssimo e super-feliz!

Aliás: naquele momento, tudo na sua vida estava a seu gosto! Tinha saúde, dinheiro para poder viver confortavelmente, estava realizado com o que já tinha construído e fazia diariamente. Para além disso, estava orgulhoso da equipa de trabalho que tinha criado: eram multifacetados, dinâmicos e estavam comprometidos com os objetivos de crescimento. Sabia que podia contar com eles! A família? Dessa nem se fala… Era o seu maior e incondicional apoio e, por isso, fazia questão em dedicar-lhes tempo de qualidade, no qual pudessem – todos – ser exatamente aquilo que são, deixando de fora os contextos laborais e escolares que, como se sabe, sempre criam algum stress e ansiedade.

Era este o pensamento que o acompanhava no curto caminho até àquele ambicionado encontro de negócios, assim como um profundo sentimento de gratidão! Ele sabia que estava a fazer tudo por si e por aqueles que amava, e que isso estava a ser retribuído!

Sorriu.
E, de repente, veio aquele-carro-descontrolado-que-passou-o-sinal-vermelho-no-segundo-errado.

A CLÁUDIA – A peça indispensável no sucesso da empresa

A Cláudia era “o braço-direito” do Michael. Conheceram-se na faculdade e, sempre que possível, escolhiam trabalhar em grupo porque se entendiam muitíssimo bem. 

Ela acompanhou-o desde de que teve a ideia de negócio; aprimoraram-na juntos e foi assim lhe deram forma e crescente rentabilidade.

Apesar disso, o Michael deixou sempre muito claro: ele seria o único responsável da empresa.

Sentia-se empreendedor e queria ser ele a ter sempre a última palavra! Contava com a Cláudia – em quem depositava absoluta confiança – mas não queria ter a obrigação de negociar consensos (ainda que acabasse sempre a fazê-lo). Para a Cláudia estava ótimo: tinha sido educada para ser funcionária por conta de outrem, nunca quis assumir as responsabilidades inerentes a ser “chefe”, gostava da autonomia que tinha e sentia-se confortável com o salário e as condições laborais que tinha.

Tudo perfeito, portanto. A Cláudia conhecia de cor os processos da empresa: os funcionários (que geria diretamente), a maior parte dos clientes e fornecedores, os prazos a cumprir; as necessidades de cumprimento legal, os objetivos estratégicos, algumas estratégias para os atingir. Acima de tudo, conhecia o tipo de liderança do Michael – ela sabia como é que ele reagiria a cada nova informação e o que faria a seguir.

Quando ouviu falar naquele-carro-descontrolado-que-passou-o-sinal-vermelho-no-segundo-errado, a Cláudia chorou pelo seu amigo.

E, apesar do medo que sentiu, decidiu que, em homenagem ao seu “chefe” e por respeito ao seu percurso, ia começar logo a “arregaçar as mangas” e “pôr as mãos à obra”. Sabia que ela e todos os colaboradores tinham muito trabalho pela frente.

A PAULA – A fluidez e tranquilidade em forma de gente

O Michael conheceu a Paula numas férias no Algarve. Ambos estavam com amigos e, mesmo no meio da “algazarra”, não ficaram indiferentes um ao outro. Praia, pôres-do-sol radiosos e passeios ao luar foram o cenário que partilharam, quase em “regime de exclusividade”, durante aqueles dias.

Conversaram muito e brindaram à sorte de, mais a norte, viverem pertinho… os astros estavam alinhados e prometeram que aqueles momentos se iriam repetir! 

Assim foi durante duas semanas, até começarem a namorar “oficialmente”, e mais três anos, altura em que casaram.

Foi durante o namoro que o Michael montou a sua empresa; mesmo estando profundamente empenhado no projeto, sempre deu muita atenção à Paula. Ela sentia isso e gostava. Partilhava com ela alguns desafios e motivações, mas não perdia muito tempo com isso: afinal, ele queria “desligar” do trabalho e, por outro lado, sabia que ela, mesmo mostrando-se disponível e compreensiva,  não tinha nenhuma afinidade com o tema – o negócio era de “números” e a Paula era de “letras” (era psicóloga mas interessava-se e divagava sobre filosofia, sociologia, conceitos abstratos…); para quê maçá-la?

Ele era feliz com o que fazia, com a companheira que escolhera, e tinha por objetivo dar-lhe qualidade de vida e conforto: admitindo que pudesse também contribuir para as despesas da casa, não queria que essa fosse uma preocupação ou uma obrigação para ela.

A verdade é que ele sempre chamou a si essa responsabilidade, com naturalidade e sem esforço, mesmo quando o Bernardo e a Filipa nasceram.

Todos se sentiam bem com isso e a Paula, sabendo-se uma privilegiada, tirava bem partido da situação: o seu ordenado não era muito alto, mas gastava-o quase todo nas suas despesas pessoais (custava-lhe a admitir, mas, no final do mês, a sua conta ficava perto de zeros!).  Quando fazia compras de mercearia – e às vezes também para os miúdos -, usava o cartão de crédito que o Michael lhe tinha dado da sua conta pessoal; nunca chegava sequer perto do limite.

Crédito da casa, dos carros, seguros, colégio das crianças, eletricidade, água, internet e telemóveis… nem se lembrava!

Sabia que saía tudo em débito direto de uma das contas do Michael; nem sabia de que banco… Lá está: ela gostava de conceitos e divagações…. Sentia-se muito grata por não ter que pensar nas questões logísticas e financeiras.

Apesar de não admitir, nem percebia sobre muitas delas: se, por exemplo, tivesse de levar o carro ao mecânico, onde o levaria? O Michael sempre arranjou um tempinho para esses assuntos!

Ambos se focavam em tarefas diferentes, complementares e assim eram felizes!

A Paula bloqueou quando lhe contaram daquele-carro-descontrolado-que-passou-o-sinal-vermelho-no-segundo-errado.

Nessa altura, fez uma promessa: iria tomar conta da família e garantir que tudo continuaria a ser o mais parecido com o que era até ali… Desta vez, ele não tinha sequer como se preocupar.

Prometeu, apesar da profunda tristeza e de não fazer ideia como, que a cumpriria.

O que é que Cláudia e a Paula já deviam saber?
Que dificuldades sentiram?
O que aconteceu por não saberem?

Sucesso tardio

Sucesso sem hora marcada

Nunca é tarde para se ser bem sucedido.

São inúmeros, os casos de pessoas que tiveram sucesso hoje considerado “tardio”.
Pessoas como Harland Sanders da Kentuky Fried Chicken, que iniciou o KFC apenas aos 65 anos. Ou Estée Lauder, cuja companhia de cosméticos homónima começou aos 54 anos e hoje constitui o império que se sabe.

Estes casos (e muitos outros) mostram-nos que estamos sempre a tempo de ser bem sucedidos, apesar do mundo estar “obcecado pelo sucesso precoce”. É esta é uma das conclusões da entrevista a Rich Karlgaard, editor da Forbes, que escreveu um livro sobre esta temática.
Curiosamente, é a revista Forbes que todos os anos publica a lista dos 30 empreendedores mais disruptivos, com menos de trinta anos…

Traduzimos o artigo de Rachel Martin para o site NPR sobre o livro e as motivações do autor, para que se possa também inspirar, independentemente da sua idade!

“Parece que todas as semanas um vídeo partilhado nas redes sociais mostra uma criança prodígio: um menino de cinco anos a tocar um concerto para piano; a  criança de 11 anos, licenciada; o pré-adolescente que é um prodígio no desporto.

Mas, no novo livro “Late Bloomers: The Power of Patience in a World Obsessed with Early Achievement” (em tradução livre: Florescendo tarde – O poder da paciência num mundo obcecado pelo sucesso precoce), o editor da revista Forbes, Rich Karlgaard, não está muito interessado em jovens empreendedores.

Em vez disso, Karlgaard olha para aqueles para quem o sucesso vem mais tarde – nos seus 30, 40, 50 e até depois desta idade – numa cultura obcecada por conquistas precoces. Ele argumenta que, embora possamos celebrar os fenómenos, a premissa de que o sucesso precoce é necessário para o sucesso ao longo da vida está errada.

“Algumas pessoas são naturalmente talentosas, autênticos prodígios. Não tenho nada contra elas – na verdade, eu aplaudo-as.”, disse ele à NPR. “O problema surge quando pensamos que esse é o caminho apropriado para todas as crianças, adolescentes e jovens adultos”.

Destaques da entrevista
Sobre como o desenvolvimento cognitivo humano informa a “floração” 

Se olharmos para o que a neurociência tem a dizer – e segundo um grande estudo de 2015, onde foi analisada a seguinte questão: “O que fazemos de melhor em cada década de nossa vida?”, com certeza lembramos a rápida velocidade de processamento sináptico e o pico de memória de trabalho nos primeiros 20 anos. Mas é nos nossos 30, 40 e 50 anos, que começamos a desenvolver toda uma gama de habilidades que não tínhamos antes: funcionamento executivo, desenvolvimento de competências de gestão, compaixão, equanimidade. … A sabedoria só começa realmente a aparecer nos nossos 50, 60 e 70 anos.

Sobre a obsessão pelo sucesso inicial

Onde eu moro, em Sillicon Valley, é habitual pressionar adolescentes e jovens adultos, porque há muitos exemplos de jovens adultos que fizeram coisas incríveis – sejam os dois fundadores do Google, seja Mark Zuckerberg, no Facebook.
A pressão que aqui se coloca nas crianças, adolescentes e pais é incrível. Então, essa ideia de pressionar crianças, colocá-las num corredor em que é suposto trocar a sua jovem curiosidade por foco determinado, está a ter, em geral, um mau resultado.
É por este motivo que quero começar  uma conversa a nível nacional sobre este assunto.

Sobre como ele vê a ambição

Eu acho que a ambição é boa. Algumas pessoas motivam-se através da ambição. Existem pessoas que – e isso caracteriza a maioria dos primeiros bloomers [pessoas que têm sucesso], eu acho – são naturalmente ambiciosos, são naturalmente competitivos, gostam de ganhar, gostam de impressionar as pessoas, gostam de aumentar a pontuação.
Os bloomers tardios tendem a ser mais do tipo explorador. Eu tenho piores resultados quando estou sob pressão competitiva. Eu tenho muito melhores resultados quando exploro minha curiosidade.
É a diferença entre sentir-se pressionado – o que eu não gosto e acho que muitas pessoas não gostam – e ser inspirado por uma visão, sonho e propósito maior. 

Beatriz Costa, responsável de Marketing e Comunicação 3NCRYPT3D

Artigo original, aqui.
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