definição de património

Informação – o novo Património

O que é o Património?

O termo Património deriva do latim patrimonium e conjuga a ideia de herança paterna (pater) com a de bens, que são propriedade de uma pessoa ou coletividade; pressupõe a existência de um conjunto de relações familiares e institucionais e tem, por isso, um significado jurídico.

Assume dimensões estéticas, histórico-culturais, sociais e económicas, e implica a noção de (re)conhecimento e valorização do passado. É, por isso, tão antiga como o homem no sentido em que contribui para a definição da sua identidade como indivíduo, seja na sua relação consigo próprio, seja com a que mantém com a sociedade onde se move.  Logo, o conceito em si sempre existiu.

Apesar de, na consciência coletiva, estar mais associado a bens materiais de valor histórico e cultural reconhecido, a designação tem vindo a ser adotada por outras áreas e adquirido novos âmbitos. Hoje, é normal falar-se de Património imaterial, natural, genético, musical, literário, artístico, linguístico/idiomático, gastronómico, familiar e, claro está, financeiro.

Trata-se de uma evolução que lhe retira os carimbos, em tempos quase obrigatórios, de “excecional” e de “antigo”, e lhe dá flexibilidade: numa interpretação abrangente, poderá ser considerado Património tudo aquilo que num determinado contexto é tido por importante e que, por algum motivo, merece ser estudado, protegido e preservado, com vista a ser mantido e deixado como legado.

Isto poderá implicar um critério de atribuição de bens cuja intenção, e dependendo do que são, poderá ser uma de duas:

  • A de que fiquem nas mãos das gerações vindouras – numa perspetiva mais emocional de salvaguarda da história familiar;
  • A de que sejam atribuídos a quem, por confiança e por conhecimento do sujeito, saiba deles cuidar e tirar o máximo partido – numa abordagem porventura mais empresarial, especializada e prática.

Portanto: tem subjacente a noção de que o seu objeto (material ou não) é passível de ser perdido (mas pode ser salvaguardado) e que o seu detentor é finito ou, por outras palavras, mortal.

O que é que, afinal, é pacífico identificar como Património?

Esta reflexão limita-se àquilo que é considerado Património corrente e acessível a uma parte considerável da população.

Nele estão incluídos aqueles bens que, normalmente, estão contemplados em testamentos ou que, em vida, se tentam salvaguardar. São disso exemplos:

  • Dinheiro físico ou depositado/aplicado em contas bancárias em instituições ao abrigo de supervisão central;
  • Ações;
  • Participação em sociedades;
  • Prédios (bens imóveis no geral);
  • Veículos (automóveis, barcos, …);
  • Joias;
  • Objetos de decoração ou utilitários de valor (faqueiros em prata, quadros, relógios antigos, …).

O que é que atualmente, não sendo ainda reconhecido como tal, também é Património cuja transmissão não só é passível como altamente desejável?

A resposta a esta pergunta dá-se numa só palavra: INFORMAÇÃO.

As novas tecnologias, em conjunto com um mercado cada vez mais único e liberalizado, permitiram a diversificação de investimentos, a dispersão de valores e a aquisição de bens imateriais que, muitas vezes, nem se identificam como sendo Património… mas são! E, tal como outros mais “tradicionais”, eles são aplicados com a intenção de gerar dividendos que, legitimamente, também devem ser herdados / transmitidos.

Por outro lado, para lhes aceder, pode ser necessário coisas tão simples como alguém saber que um sujeito (falecido) tinha conta num determinado serviço digital e, eventualmente, as respetivas credenciais de acesso.

(Sabemos que isto levanta questões sobre a garantia de privacidade em vida; sobre as possíveis formas de a salvaguardar, assim como a autonomia para o fazer, já é outro assunto!)

Alguns exemplos:

  • Carteiras de criptomoedas em corretoras online;
  • Criptomoedas adquiridas e guardadas em carteiras de hardware (pen tipo “Ledger”) e respetivos acessos;
  • Valores depositados em bancos exclusivamente online (“Revolut”, “N26”);
  • Dinheiro reservado para movimentação corrente em contas wallet online, tipo “Paypal”;
  • Dinheiro obtido em jogos online e outras plataformas;
  • Investimentos em plataformas de crowdfunding ou financiamento colectivo, tipo “Kickstarter”;
  • Investimentos em plataformas para este efeito em empresas (equity), tipo “Seedrs”;
  • Seguros de vida associados a serviços contratados (como os de cartão de crédito, por exemplo).

Há ainda outro tipo de informação, mais ou menos “analógica”, das qual pode até nem resultar dividendos, mas que tem por objetivo salvaguardar bens, a continuidade de processos quotidianos e facilitar a vida de quem, perante uma ausência (definitiva ou não), tem que lidar com os problemas que dela resultam:

  • Passwords de e-mails e redes sociais;
  • Pins de telemóveis e computadores;
  • Acesso a serviços na cloud (armazenamento de dados online) e respetivos conteúdos;
  • Subscrições de serviços mensais digitais, tais como “Netflix”, “Dropbox”, “Spotify” de débito automático e recorrente;
  • Acessos exclusivos a serviços contratados profissionalmente e que garantem a continuidade do negócio (serviços de registo de domínios, servidores, storage);
  • Segredos de negócio e que o mantêm;
  • Segredos pessoais que se querem revelados só em determinadas circunstâncias;
  • A existência de um testamento;
  • Dinheiro escondido (por exemplo, aquelas moedas de 2€ que se foram separando para fazer uma surpresa à família e que, em 2 anos já são quase 2000€);
  • Valores por faturar ou faturados e não recebidos;
  • Empréstimos e dívidas pessoais;
  • Ideias de negócio por concretizar;
  • Estudos ou investigações em curso;
  • Patentes e direitos de autor;
  • Receitas de família;
  • Mensagens emocionais – aquelas que o coração sabe de cor, a cabeça decide que ainda há tempo para partilhar e/ou que a boca não diz;
  • E tantas… tantas outras!

A verdade é que estas partilhas podem ser relevantes noutras situações que não as de morte, e é fácil extrapolar que qualquer adulto conhece, pelo menos, uma situação em que, mais que dinheiro, a informação foi, era ou teria sido a chave da resolução rápida de um problema.

E, neste contexto, ela teria sido Património.

Na medida em que ter esta informação reunida pode dar muita tranquilidade a quem a detém, e ajudar a agilização e a paz dos recetores desejados, é do interesse de todos os profissionais que lidam com a fragilidade da Vida – tais como advogados, profissionais de saúde (médicos, enfermeiros), agentes de seguro e até agentes de ação religiosa – terem esta perspetiva lata do seu âmbito, e contribuir para a sensibilização daqueles a quem facilitam os seus serviços. Desta forma, estarão também a acrescentar-lhes valor, a diferenciar-se e a ser efetivos na resolução de eventuais problemas, sejam eles práticos ou de foro emocional.

Tem a sua informação reunida?

A única maneira de cada um saber o que tem de valor/importante é fazendo um inventário, com uma visão alargada daquilo que pode ter como património.

Se quer ter um ponto de partida, clique aqui, é um excelente ponto de partida!

E lembre-se de mais um pequeno pormenor muito, muito importante: os inventários também têm de ser atualizados – porque crescem e porque os dados mudam; no que às passwords diz respeito, há serviços que impõem a sua atualização sistemática e, mesmo que tal não aconteça, é bom que seja feito por questões de segurança…

Portanto, esta prática deve ser vista como um “work in progress” que vai facilitar a vida de quem a adota e… Sim; poucos serão os que pensam neste assunto de acordo com esta perspetiva tão abrangente. Mas não deixa de ser verdade que todos os outros, não o fazendo, estão a aumentar a possibilidade de problemas, de perda de bens e acima de tudo, de tempo que, por ser escasso, será o maior valor para cada um de nós.

E, se está a ler isto e se inclui no lado dos “muitos”, pode começar já a fazer diferente! Faça download desta lista e surpreenda-se com a quantidade de informação importante que nem se lembrava que tem!

Rita Brandão, COO 3NCRYPT3D

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