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Julien Assange: A informação necessária

Quando, há uma semana, escrevíamos no nosso blog sobre a questão da informação, da sua proteção e da proteção de quem a detém, em particular no contexto a que chamámos de “limbo” para os whistleblowers, estávamos longe de imaginar a sua pertinência circunstancial. Esta advém da prisão de Julian Assange – um dos whistleblowers mais mediáticos do mundo -, na passada quinta-feira.

Certo é que, desde então, a Wikileaks já divulgou mais informação comprometedora quanto baste, o que confirma aquilo que havia sido veiculado em 2016: que Julian Assange tinha um Dead Man’s Switch. Ou seja: a salvaguarda de que, qualquer que fosse a sua condição legal, a informação que detinha seria entregue. Poucos saberão qual a real dimensão desses conteúdos e, a existirem, quando e em que circunstâncias serão divulgados.

Dada a importância deste assunto, consideramos pertinente a partilha de informação que consideramos fidedigna, para entender melhor o que está a acontecer.

O que move Julien Assange?
Num artigo do Público, tivemos acesso a algumas das frases mais “fortes que proferiu”, tais como:

“Enquanto a WikiLeaks estiver sob ameaça, também estará a liberdade de expressão e a saúde de todas as nossas sociedades”

“A Google é extremamente ambiciosa. Ela quer invadir todos os cantos do mundo. Saber tudo o que toda a gente está a fazer. (…) A Google é o maior golpe de espionagem que alguma vez aconteceu e as pessoas estão voluntariamente a contribuir para isso”, disse numa apresentação por videoconferência no último dia do Lisbon & Estoril Film Festival de 2014;

“Para mim a questão é como evitar o totalitarismo. Com os avanços tecnológicos estamos muito rapidamente a chegar a um nível de centralização global, com muito poucos centros de poder. Precisamos de encontrar alternativas”, disse no mesmo festival;

“Acredito que a única maneira de se chegar à justiça é através da educação. (…) Ao trazer para o domínio público [a forma] como funcionam, na verdade, as instituições humanas, podemos compreender de forma franca e, até certo ponto pela primeira vez, a civilização que temos”. Entrevista com David Greene, da rádio NPR, em 2016;

Os 11 milhões de documentos da WikiLeaks são “uma biblioteca de Alexandria rebelde”, disse na mesma entrevista.

Assange esteve exilado na embaixada do Equador em Londres durante 7 anos. O que aconteceu agora, para ser entregue às autoridades inglesas?

Segundo o ex- presidente equatoriano Rafael Correa, a detenção foi “uma vingança pessoal do Presidente do Equador, Lenin Moreno, porque a WikiLeaks divulgou há alguns dias um caso muito grave de corrupção” que o envolve. Correa denota ainda outros motivos, indicando jogos de poder, neste artigo do JN.

Um resumo histórico e como a está a ser manipulada a informação:

Neste artigo do The intercept, vai entender o que está para trás, a acusação e o que enfrenta Assange, se for extraditado para os EUA.

Se tiver curiosidade sobre o “método dead man’s swich”, saiba mais, aqui.

E agora que Assange foi capturado, novos documentos foram tornados públicos, neste link.

Após a sua captura
A 1 de Maio foi condenado a quase um ano de prisão, “por um tribunal de Londres por não ter cumprido as condições da liberdade condicional em 2012″.

Um dia depois de ser condenado a 50 semanas de prisão, o denunciante reafirma a sua intenção de permanecer longe dos EUA, recusando o consentimento para a sua extradição. “Não quero entregar-me para ser extraditado (para os EUA) por ter feito jornalismo que obteve vários prémios e protegeu muitas pessoas”, disse Assange, através de um comunicado.

E agora?

Agora, o caso – especificamente a intenção de extraditar o denunciante -, segue os trâmites legais.
“Foram marcadas novas audiências deste caso para dias 30 de maio e 12 de junho”, num caso que segundo um juíz britânico, pode levar “diversos meses” até ficar concluído.

“Heróis contemporâneos” homenageados numa obra de arte

Assange, Snowden e Manning foram já imortalizados numa obra de arte itinerante – está agora na Alemanha. Esta revela bem a expressão social da ação destas três pessoas. Intitulada de Anything to Say , encoraja os apoiantes a levantarem-se pela liberdade de expressão e informação.
Segundo o autor desta homenagem em jeito de escultura, estes são “heróis contemporâneos que aceitaram perder a liberdade em nome da verdade” .

Boas leituras, em nome da verdade!

Equipa 3NCRYPT3D

Imagem (créditos) : Hannah McKay/Reuters

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